Contratar pessoas com deficiência é, de fato, incluí-las no trabalho? Existe uma forma eficaz de transformar a contratação impulsionada pela Lei de Cotas em uma inclusão benéfica tanto para a pessoa empregada quanto para o ambiente que a recebe? Essas são questões essenciais no cenário atual, e a resposta a elas passa por uma análise aprofundada da experiência acumulada ao longo dos anos, apoiando empresas em seus programas de diversidade e inclusão.
Desde 2013, na consultoria SEREQUIDADE, adotamos a metodologia do Emprego Apoiado como forma de promover a inclusão profissional de pessoas com deficiência. Com a implementação dessa abordagem, conseguimos garantir suporte contínuo tanto para os indivíduos empregados quanto para o ambiente de trabalho, em todas as etapas do processo de contratação. Esse apoio não se limita ao momento da contratação, mas se estende durante o período de adaptação e acompanhamento pós-contratação. O resultado tem sido altamente positivo, com milhares de inclusões realizadas e um índice de turnover extremamente baixo, evidenciando o sucesso dessa metodologia em diferentes setores, desde o administrativo até o operacional. Ela tem sido eficaz no atendimento às necessidades de pessoas com deficiências variadas, com um suporte adequado que assegura uma adaptação bem-sucedida.
Dentro dessa lógica democrática, que busca promover um ambiente mais diverso e inclusivo, surgiu, no início do século XXI, o conceito ESG (Environmental, Social and Corporate Governance). Nos últimos anos, essa abordagem tem ganhado cada vez mais adesão entre empresas de diversos portes, incluindo corporações nacionais e multinacionais. O conceito de ESG tem suas raízes em 2004, quando a Organização das Nações Unidas (ONU), o Banco Mundial e o Pacto Global divulgaram o documento “Who Cares Wins” (em tradução livre, “Quem Cuida Ganha”). Esse relatório sugeria que as empresas poderiam gerar lucro de maneira responsável, promovendo impactos positivos não apenas nos funcionários e clientes, mas também na comunidade e no planeta como um todo.
Desde sua origem, a ideia central do ESG tem sido transformar essa abordagem em práticas concretas, e não apenas em um discurso institucional. O mesmo se aplica à metodologia do Emprego Apoiado, que só se torna verdadeiramente eficaz quando há intencionalidade e ação para consolidar uma cultura organizacional que promova a equidade e traga benefícios para todos os envolvidos. A inclusão de pessoas com deficiência que necessitam de apoio no desenvolvimento profissional vai além do simples cumprimento da legislação vigente. Ela representa um passo essencial para humanizar as relações de trabalho, conferindo sentido e relevância ao componente social do ESG.
Portanto, a implementação de práticas de diversidade, como a do Emprego Apoiado, alinha-se diretamente aos princípios do ESG, especialmente no que diz respeito à responsabilidade social das empresas. Incluir pessoas com deficiência de maneira efetiva, oferecendo o suporte necessário para que possam se desenvolver profissionalmente, contribui para a construção de um ambiente de trabalho mais justo, inclusivo e sustentável. Em um cenário corporativo cada vez mais consciente de seu papel social, a adoção dessa metodologia não é apenas uma questão de conformidade legal, mas uma forma de promover uma transformação significativa na cultura organizacional e na sociedade como um todo.
Texto escrito por Victor Martinez




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