Em sua obra “Maximen und Reflexionen”, de 1833, Johann Goethe nos provoca com uma reflexão profunda sobre governança: “Qual é o melhor governo? Aquele que nos ensina a governar-nos”. Esta pergunta reverbera com força nos tempos atuais, especialmente quando observamos a ascensão de discursos polarizados e excludentes que buscam limitar a diversidade e a autonomia dos indivíduos em nome de uma falsa ideia de ordem ou moralidade.
Recentemente, o início de um novo governo nos Estados Unidos, uma nação de grande influência no cenário mundial, trouxe à tona um discurso que divide e radicaliza. Em vez de buscar a união e o fortalecimento da convivência plural, assistimos ao surgimento de uma “cartilha” de comportamentos e ideias que devem ser seguidos e exaltados por aqueles que compartilham de uma visão específica, com características que muitos chamam de conservadoras, mas que, na verdade, muitas vezes se mostram reacionárias.
Essas ideologias não são novas. A história nos mostra que movimentos autoritários e opressivos, que buscam homogeneizar a sociedade, sempre se fundamentaram na diminuição do pensamento crítico e independente. Ao longo da história, os regimes que pregam a exclusão dos “diferentes”, a eliminação dos que pensam de forma diversa, são os mesmos que deram margem às maiores atrocidades da humanidade. Esses discursos procuram vender a ilusão de que a organização da sociedade, para os chamados “bons”, depende da erradicação dos divergentes, quando na realidade, a diversidade de pensamentos, culturas e identidades é o que garante nossa liberdade e capacidade de transformação.
A verdadeira força de uma sociedade não está na imposição de um pensamento único ou na exclusão dos diferentes, mas na capacidade de respeitar e acolher a pluralidade. A diversidade não é um obstáculo, mas sim a essência da autonomia individual e coletiva. Em um mundo cada vez mais conectado, é impossível ignorar que a convivência em um ambiente inclusivo e plural é o que nos permite crescer enquanto seres humanos. Somente assim podemos assegurar nossa capacidade de ser e de estar no mundo de maneira autônoma, íntegra e potente.
Portanto, a verdadeira luta em prol de uma sociedade mais justa e igualitária não é contra as diferenças, mas sim pela preservação do direito de cada indivíduo de existir e pensar livremente. A inclusão não é uma ameaça à ordem social; pelo contrário, ela é o caminho para a construção de uma sociedade mais consciente, mais livre e mais humana. E, como Goethe nos ensina, a verdadeira governança é aquela que nos ensina a governar a nós mesmos, com liberdade, respeito e responsabilidade.
Texto escrito por Victor Martinez CEO da Ser Equidade.




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